
No âmbito da resposta nacional ao surto de Mpox em Angola, o Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS) realizou uma formação estratégica dirigida a profissionais que actuam na linha da frente da vigilância laboratorial e epidemiológica.
A iniciativa reuniu mais de 70 técnicos de saúde provenientes de Luanda, Bengo e Icolo e Bengo, com o propósito de harmonizar procedimentos, reforçar a capacidade técnica e contribuir para uma resposta mais célere e eficaz perante casos suspeitos de Mpox.
Na sessão de abertura, a Dra. Joana Paula Paixão, Directora Geral Adjunta para a Área Técnica do INIS, destacou o papel estratégico da instituição no apoio técnico e científico à resposta nacional ao surto, através do diagnostico molecular por PCR em tempo real e, de forma pioneira, da sequenciação genómica de amostras positivas.
‘Os nossos resultados laboratórios identificaram a circulação de diferentes variantes do vírus em território nacional, nomeadamente o Clado la e o Clado Ib”
Segundo a responsável, estes resultados reforçam a importância de uma vigilância contínua e integrada, considerando a possibilidade de existência de diferentes cadeias de transmissão e de dispersão entre províncias.
Neste contexto, foi salientada a necessidade de manter e intensificar a vigilância nas zonas fronteiriças, com particular atenção à fronteira com a República Democrática do Congo.
A formação atribuiu especial atenção à fase pré-analítica, considerada fundamental para assegurar a qualidade das amostras, a segurança dos profissionais e a fiabilidade do diagnóstico laboratorial. Entre os principais conteúdos abordados destacam-se:
• Biossegurança rigorosa no manuseamento de doentes, amostras e materiais potencialmente infecciosos;
• Selecção e colheita adequada de amostras clínicas, de acordo com os procedimentos técnicos estabelecidos;
• Anservação e transporte seguro das
amostras até ao laboratório de referência;
• Harmonização dos procedimentos entre as equipas envolvidas na vigilância e no diagnóstico laboratorial.
Qualidade da amostra: um elo essencial para a resposta
A qualidade do processo de diagnóstico começa antes da chegada da amostra ao laboratório.
A correcta selecção, colheita, identificação, acondicionamento e transporte são determinantes para preservar a integridade do material biológico e reduzir o risco de resultados inconclusivos ou atrasos no processamento.
Ao assegurar que as amostras chegam ao
INIS em condições adequadas, cria-se uma base sólida para a emissão de resultados laboratoriais céleres e de qualidade, apoiando a tomada de decisões pelas autoridades sanitárias e a implementação atempada das medidas de saúde pública necessárias.
Compromisso institucional
A iniciativa integra os esforços contínuos do INIS e do Ministério da Saúde (MINSA) para o reforço das capacidades dos profissionais de saúde e para a consolidação da vigilância laboratorial e epidemiológica no pais.
Com esta formação, o INIS reafirma o seu compromisso com a produção e aplicação de conhecimento científico, a biossegurança, a investigação em saúde e o fortalecimento da resposta nacional às doenças emergentes, colocando a ciência ao serviço da saúde pública e do bem-estar da população.








