
Brasil e Angola participaram num evento paralelo da Assembleia Mundial da Saúde sobre o combate à dengue, zika, chikungunya e outras doenças transmitidas por mosquitos.
Em paralelo à reunião global que acontece até sábado, os países acompanharam uma visão geral da epidemiologia atual do grupo de doenças e novas estratégias para fortalecer a detecção precoce, a prevenção e o controle.
Fortalecer a detecção precoce
Após a reunião “Dengue, zika, chikungunya e outras arboviroses: fortalecendo a preparação e a resposta contra epidemias crescentes” o médico infectologista da Fiocruz, Júlio Croda, explicou à ONU News que o Brasil abordou a resposta às epidemias.
“Associadas às mudanças climáticas, nós vemos um aumento importante das arboviroses em todo o mundo, afetando regiões geográficas que antes não afetavam, cidades antes que não afetavam.”
A evolução traz um desafio novo de financiamento, de acordo com o pesquisador, “principalmente para reforçar a vigilância, mas também para a implementação de novas tecnologias inovadoras de controle da doença, como o método Wolbachia, e a ampliação da vacinação”.
Desafios atuais
“O Brasil tem sido o líder nesse processo, pois foi o primeiro país a adotar como estratégia nacional o método Wolbachia e também o primeiro a implementar a vacinação com as duas vacinas disponíveis no mercado atualmente.”
Uma das tecnologias adotadas pelo Ministério da Saúde do Brasil para reduzir casos é inserir a bactéria Wolbachia no mosquito Aedes Aegypti. O patógeno impede que o vírus da doença se desenvolva dentro do vetor de transmissão reduzindo sua capacidade.
Em 2024, a dengue foi transmitida em níveis sem precedentes em todo o mundo. A OMS recebeu relatos de mais de 14 milhões de casos. A região das Américas respondeu por mais de 90% do total global.
Somente o Brasil foram registrados mais de 10 milhões de casos. O mundo concentra 5,6 bilhões de pessoas vivendo em zonas de risco de infeções arbovirais, o que representa mais da metade da população global.
O exemplo de Angola
A Directora Geral do Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS), Dra Joana Morais, disse que a participação do país no evento foi particularmente importante por permitir apresentar a realidade local e os desafios enfrentados.
A reunião ajudou também a mostrar o que países africanos com o mesmo contexto que Angola enfrentam, principalmente no que diz respeito à dengue, ao zika e ao chikungunya.
Durante as discussões, Angola destacou que a preparação no terreno depende essencialmente de três pilares. São sistemas públicos de vigilância e a capacidade de diagnóstico laboratorial, mecanismos rápidos de coordenação e de resposta e um financiamento sustentável.”



